Há muito tempo eu venho querendo adotar um cãozinho. Sempre imaginei um filhotinho fofo e saudável para ser meu amigão e companheiro.
Até que eu postei no facebook “Quem tiver um cachorrinho para adoção, me avisa. To querendo muito um.”
Recebi uma mensagem privada da minha amiga Luisa, que dizia ter um cãozinho que foi encontrado perto da loja do pai dela, e que estava em um galpão emprestado sozinho muito sujo, e que seu pai o tinha vacinado, tratado da sarna e dos carrapatos com que ele chegou.
Logo de cara, quando ela falou “SARNA”, eu meio que me assustei e cheguei a pensar: “Ih, furada.”
Mas aí ela me explicou que já estava sequinha, e que já não estava mais contagiosa, que ele já estava livre de carrapatos e pulgas, mas que ele ainda estava muito magrinho e muito sujo.
Nisso, uma outra amiga minha, a Flávia, me manda um reply dizendo que tinha 2 filhotes de labrador pra doar.
Fiquei super tentada, porque quem me conhece sabe que meu sonho é ter um labrador, mas sei lá… Antes eu queria ir conhecer esse Sharpei de um ano e meio que foi abandonado.
Marquei com a Luisa 7hs da manha de quarta feira. Eu não consegui pregar o olho a noite inteira, com medo de chegar lá e me chocar com o estado do bicho.
Chegamos à loja por volta das 7:40, e fomos tentar ver o cachorro, que mesmo por trás de uma grade sentiu medo e tentou se esconder da gente.
Quando entramos no galpão com o rapaz que o alimentava e dava água, ele veio cumprimentá-lo balançando o rabinho… chegou perto de mim, me cheirou os pés e pernas, e para a surpresa de todos, se levantou com um pinote e me deu a patinha. Foi amor a primeira vista. Não tive dúvidas: decidi traze-lo.
Ela tinha me dito que era um Sharpei caramelo. Quando eu o vi de longe, achei que era o caramelo escuro, sabe?
Mas após o banho, vim a descobrir que ele é loirinho. É cor-de-mel. Esse era o estado em que o animal se encontrava.
Enquanto se dava o banho nele, a tosadora (Angélica) me contou a história dele:
Ele era um cão de apartamento que foi roubado, e espancado, maltratado na intenção de o transformarem em um cão de rinha. Pela personalidade do cachorro, isso não foi possível. Ele é extremamente dócil e amistoso. Então os monstros que o roubaram e o estavam maltratando o abandonaram na rua, à Deus dará. Na rua, o cachorrinho passou por muitas e péssimas. Segundo o homem que o resgatou, ele inclusive apanhava de outros cães (depois percebi que ele tem uma cicatriz no focinho, provavelmente de alguma sessão de espancamento, ou uma mordida de outro cão)
Ele se tornou um animal medroso e acuado, mas ainda assim de uma doçura indescritível.
No caminho de volta pra casa, ele acomodou a cabeça no meu braço, ajeitou as patinhas no meu colo e relaxou. De 7 da manha às 14hs, esse cachorro ficou em posição de alerta, sem sentar ou deitar. Muito tenso. Só relaxou no meu colo, dentro do carro indo pra casa nova.
Ao chegar aqui, primeiro rolou toda aquela cheiração de reconhecimento de terreno, mas muito rapidamente ele esparramou no tapete da sala e dormiu como se não houvesse amanhã. Até roncar ele roncou! Isso pra mim não teve preço.
Valeu muito a pena optar pelo Sharpei sarnento e abandonado ao invés do filhote de Labrador. Ele nos olha com gratidão e amor. Ontem a noite eu cheguei a chorar com o olhar aliviado dele. Ele, by the way, se chama Google. (Sim, impressionantemente ele já atende pelo nome dado por nós)
Nome roubado do falecido porquinho da índia da Kel. Eu achei sensacional, pedi permissão e ela concedeu! =)
Enfim, Google agora está seguro e em paz. Mas ele é um cachorrinho dentre muitos que ainda precisam de um lar, de uma família e de muito carinho.
Se você tem condição de ter um cachorro, eu aconselho a adoção. A felicidade de ver aquele rabinho abanando é inenarrável. Acredite.
Olha Google aí, gente:
Antes do banho:
Depois do banho:
Na casa nova:
Pra quem quiser mais informações sobre cães que precisam de lares, é só clicar aqui .
Se eu for uma gota no oceano e você outra, e um amigo seu for outra, e o amigo do seu amigo for outra, e assim por diante, a gente pode fazer uma Tsunami. Lembre disso.
Carinho,
Sim, eu to toda boba com ele. E daí?








